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INNOAQUA: já existe tecnologia INESC TEC ao serviço de uma aquacultura sustentável

INNOAQUA: já existe tecnologia INESC TEC ao serviço de uma aquacultura sustentável

Já experimentou um hambúrguer à base de algas? Ou nuggets produzidos a partir de proteína cultivada em sistemas circulares? O papel das algas na alimentação será cada vez mais relevante e tudo começa com o reaproveitamento da água utilizada na produção de peixe, como tem sido mostrado no projeto INNOAQUA.

No final de maio, o INESC TEC recebeu parceiros do projeto INNOAUQA, investigadores e stakeholders ligados à aquacultura sustentável num workshop que procurou discutir o potencial da Aquacultura Multitrófica Integrada (IMTA), um modelo de produção circular onde os resíduos de uma espécie (os peixes) passam a ser recursos para outra (as algas).

“Um dos temas mais discutidos no INNOAQUA | Workshop Seaweed & Fish IMTA within EU – Advantages and Challenges foi a necessidade de integrar diferentes espécies e processos produtivos de forma eficiente, garantindo simultaneamente sustentabilidade ambiental e viabilidade económica. No caso do INNOAQUA, a água proveniente dos tanques de peixe, rica em nutrientes e dióxido de carbono, é utilizada para  alimentar o crescimento de macroalgas antes de regressar ao sistema. O objetivo é prolongar ao máximo a utilidade da água dentro do processo produtivo, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência do sistema”, explica Luís Coelho, investigador do INESC TEC.

Foram combinadas tecnologias como sensores, automação industrial e tecnologias de Industrial Internet of Things (IIoT) para criar uma infraestrutura digital capaz de monitorizar, em tempo real, parâmetros críticos para o crescimento das algas e para a gestão dos sistemas de aquacultura. Os sensores são usados para medir diferentes parâmetros e são integrados numa plataforma digital baseada em digital twin, permitindo centralizar dados, acompanhar tendências operacionais e apoiar decisões de controlo em tempo real. Foi ainda desenvolvido um sistema de controlo capaz de ajustar automaticamente o funcionamento da instalação em função das condições observadas, contribuindo para uma produção mais eficiente e previsível.

“O contributo do INESC TEC tem passado pelo desenvolvimento da componente digital do projeto. Entre as tecnologias criadas encontram-se sensores inovadores capazes de medir dióxido de carbono dissolvido, nitratos e turbidez da água, bem como sistemas de monitorização remota, automação industrial e plataformas digitais inspiradas nos conceitos da Indústria 4.0”, acrescenta o investigador.

Apesar do reconhecido potencial destes sistemas, são ainda muitos os desafios que continuam a limitar a adoção em larga escala dos sistemas de IMTA na Europa. Falamos da complexidade da gestão simultânea de diferentes espécies, da necessidade de monitorização contínua e fiável, dos custos associados à digitalização e automação dos sistemas e da existência de enquadramentos regulatórios ainda pouco harmonizados entre países europeus.

“A digitalização será um elemento decisivo para tornar estes sistemas economicamente viáveis e escaláveis. O projeto apresenta soluções que permitem monitorizar continuamente os fluxos de nutrientes, otimizar condições de cultivo e reduzir desperdícios de água, energia e recursos e contribuem, dessa forma, para modelos de produção mais previsíveis, eficientes e circulares e alinhados com os objetivos de sustentabilidade da União Europeia. Resta agora demostrar a viabilidade económica em larga escala, adaptar estas tecnologias a diferentes contextos produtivos e criar modelos de negócio que facilitem a adoção destas soluções pelo setor industrial europeu”, defende Luís Coelho.

Assim, um dos objetivos do projeto passa por transferir estas tecnologias para aplicações industriais. Os próximos passos passam por reforçar a validação em condições operacionais prolongadas, melhorar a robustez dos sensores e aumentar o nível de automatização dos sistemas.  A médio prazo, os investigadores acreditam que estas soluções poderão dar origem a plataformas comerciais de monitorização inteligente e gestão digital de sistemas aquícolas sustentáveis.

O futuro? Uma aquacultura capaz de reutilizar os seus próprios recursos, reduzir desperdícios e tomar decisões em tempo real. E quem sabe, um dia, a alimentação à base de algas possa ser a prova que o sistema funciona.

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