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Projeto para transformar a produção de macroalgas distinguido com selo de excelência pela Comissão Europeia

Projeto para transformar a produção de macroalgas distinguido com selo de excelência pela Comissão Europeia

As macroalgas podem vir a ser um dos recursos mais valiosos da bioeconomia europeia. Mas como garantir a sua produção de forma eficiente, sustentável e à escala industrial? É precisamente a essa questão que procura responder o projeto BIG-ALGAE, recentemente distinguido com o STEP Seal, um selo de excelência atribuído pela Comissão Europeia a projetos considerados estratégicos para a soberania tecnológica e competitividade europeias. O INESC TEC é um dos parceiros.

Da alimentação aos cosméticos, dos têxteis às embalagens sustentáveis: são múltiplas as aplicações das macroalgas. O problema? A Europa continua ainda muito dependente da apanha selvagem deste recurso, o que limita a disponibilidade, a regularidade do fornecimento e a qualidade da biomassa necessária para aplicações industriais. Para além do potencial económico, as macroalgas apresentam ainda importantes benefícios ambientais. Podem contribuir para a captura de carbono, para a reciclagem de nutrientes e para a substituição de matérias-primas de origem fóssil em diferentes produtos e processos industriais.

“O principal objetivo do BIG-ALGAE é criar condições para uma produção europeia de macroalgas mais previsível, sustentável e competitiva, reforçando a capacidade europeia de responder à procura crescente de biomassa de qualidade para setores como a alimentação, rações, cosmética, têxteis, embalagens e outros materiais de base biológica. O cultivo controlado de macroalgas poderá ainda reduzir a pressão sobre populações selvagens, melhorar a utilização de recursos e potenciar novas cadeias de valor associadas à economia circular”, explica Luís Coelho, investigador do INESC TEC.

O projeto está a desenvolver quatro modelos de cultivo aplicáveis a cinco espécies nativas europeias de macroalgas: produção offshore, sistemas terrestres recirculantes, integração com aquacultura de peixes através do conceito IMTA (Integrated Multi-Trophic Aquaculture) e ainda sistemas urbanos destinados a regiões sem acesso direto à costa.

No âmbito do projeto, o INESC TEC assume um papel relevante no desenvolvimento das componentes digitais e de monitorização dos sistemas de produção com a cooperação dos domínios de Fotónica Aplicada e de Engenharia de Sistemas e Gestão Industrial. “O nosso contributo centra-se no desenvolvimento de soluções de sensorização, monitorização em tempo real e ferramentas digitais de apoio à decisão. Estas soluções permitirão otimizar parâmetros como a qualidade da água, a disponibilidade de nutrientes, o crescimento da biomassa e o momento ideal de colheita”, refere Luís Coelho.

Além das tecnologias de monitorização, o projeto inclui o desenvolvimento de novos substratos biodegradáveis para fixação das algas e processos de biorrefinaria destinados à extração de compostos de elevado valor acrescentado.

O projeto prevê igualmente soluções de aquacultura integrada com potencial para biorremediação de águas provenientes da piscicultura, bem como avaliações ambientais baseadas em metodologias de ciclo de vida.

Os resultados poderão beneficiar produtores de macroalgas, aquicultores, empresas de processamento de biomassa e indústrias dos setores alimentar, cosmético, têxtil e dos materiais.

“O BIG-ALGAE não se limita a uma abordagem científica, procurando também preparar soluções replicáveis e aplicáveis ao mercado europeu de macroalgas”.  Luís Coelho relembra que, nesse sentido, o consórcio reúne “produtores, empresas e utilizadores finais, prevendo a demonstração das soluções desenvolvidas em níveis de maturidade tecnológica próximos da aplicação industrial”.

O reconhecimento STEP Seal reforça o potencial desta iniciativa. Criado pela Comissão Europeia no âmbito da Strategic Technologies for Europe Platform (STEP), este selo distingue projetos de elevada qualidade que contribuem para a inovação tecnológica europeia, para o reforço da competitividade do mercado interno e para a redução de dependências estratégicas da União Europeia.

“Este reconhecimento representa uma validação muito importante do trabalho desenvolvido pelo consórcio. Demonstra que as soluções propostas pelo BIG-ALGAE respondem a desafios estratégicos para a Europa e reforça a visibilidade internacional do projeto, facilitando também futuras oportunidades de financiamento e investimento”, conclui Luís Coelho.

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