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INESC TEC lidera desenvolvimento de tecnologia robótica para o mar profundo

INESC TEC lidera desenvolvimento de tecnologia robótica para o mar profundo

O Instituto coordena o projeto europeu DEEP-TECH, apoiado em 11,6 milhões de euros pelo Fundo Europeu de Defesa. O projeto vai desenvolver novas capacidades para plataformas submarinas robóticas e infraestruturas autónomas, integrando tecnologias avançadas de energia, comunicações, sensores e deteção de ameaças. O objetivo é reforçar a permanência, resiliência e a autonomia de operação de sistemas não tripulados em ambientes marítimos de grande profundidade e elevado risco.

O DEEP-TECH parte de uma necessidade: a criação de infraestruturas críticas para operação, monitorização e vigilância no fundo do mar. Neste contexto, de acordo com José Miguel Almeida, investigador do INESC TEC e um dos coordenadores da área de Robótica e Sistemas Autónomos do Instituto, o projeto aborda o desenvolvimento de tecnologias disruptivas necessárias para atuar em grandes profundidades, nomeadamente em áreas como docagem, armazenamento de energia, comunicações, sensores, sistemas avançados de perceção, logística e sistemas autónomos.

“Estes desenvolvimentos tecnológicos são fundamentais para estabelecer sistemas residentes, capazes de atingir os 6 mil metros de profundidade, incluindo capacidades únicas de docagem em bases subaquáticas, veículos autónomos submarinos para suporte logístico e relocalização autónoma de nós sensoriais no fundo do mar. O nosso objetivo é incrementar a autonomia, resiliência e permanência destes sistemas em cenários de altas profundidades para proteção de infraestruturas críticas subaquáticas”, acrescenta o investigador, que é também docente no Instituto Superior de Engenharia do Porto.

Para que essa visão se torne realidade, os “sistemas autónomos residentes e sistemas de suporte logístico são elementos estruturantes e levam à redução da necessidade de embarcações de suporte”. Mas, para que tal aconteça, “são necessários diferentes componentes que requerem tecnologias a desenvolver no âmbito do DEEP-TECH”.

Sintetizando, a iniciativa visa deslocar as operações e ações de controlo à superfície para uma rede de sistemas subaquáticos autónomos, residentes, e de longo prazo. Plataformas de carregamento submersas, veículos autónomos (AUV) de grande profundidade, sistemas de docagem e estações subaquáticas, UUV (Veículos Subaquáticos Não-Tripulados) de logística para transporte autónomo, ou novas camadas de sensorização acústica distribuída (DAS) em UUV são algumas das soluções a explorar.

É com esse horizonte em vista que 18 parceiros de 10 países, sob um financiamento de 11,6 milhões de euros do Fundo Europeu de Defesa, vão trabalhar ao longo de 36 meses. Coordenada pelo INESC TEC, a aprovação deste projeto, que, de Portugal, conta ainda com o envolvimento da A. Silva Matos Metalomecânica e da Marinha Portuguesa – vem no seguimento de várias provas dadas pelo Instituto na área dos sistemas robóticos para grandes profundidades. “No âmbito civil, já temos vários exemplos de tecnologia que opera em profundidades consideráveis, como o lander TURTLE, o veículo autónomo subaquático (AUV) EVA e agora o novo AUV para o mar profundo, PETRA”, aponta Hugo Silva, investigador do INESC TEC também envolvido no projeto.

“Estes veículos traduzem e permitem implementar uma visão estratégica para o ambiente submarino que o INESC TEC tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos, em diferentes projetos, e que traz, também, para o DEEP-TECH”. De acordo com Hugo Silva, o trabalho nesta área da robótica foca-se “na extensão da autonomia e capacidade de operação, quer em alcance, quer em tempo de operação no mar, quer em profundidade alcançada”. Com este conhecimento e experiência acumulados, agora, através do DEEP-TECH, será dado mais um passo para a efetiva vigilância do Mar Português.

“Tendo Portugal a maior zona económica exclusiva (ZEE) marítima a grandes profundidades da Europa no oceano Atlântico, torna-se extremamente importante desenvolver o ecossistema industrial de Defesa do país”, realçam os investigadores. Além do INESC TEC, as presenças da empresa A. Silva Matos Metalomecânica e da Marinha Portuguesa entre os membros da iniciativa afirmam “Portugal como um país com entidades de I&D e de indústria capazes de coordenar e desenvolver tecnologia de ponta numa área disruptiva específica como a da tecnologia para o mar profundo”.

Esta é a primeira vez que o INESC TEC lidera uma iniciativa FED e apenas a terceira liderada por uma entidade nacional. Além disso, o Instituto é ainda coordenador técnico de outros projetos FED em curso: VICTORIOUS e BATTLEVERSE. De acordo com António Gaspar, responsável pelo desenvolvimento de negócio para a área Aeroespacial, Segurança e Defesa (ASD) do INESC TEC, a aprovação destes projetos é “significativa para Portugal, dado o número reduzido de iniciativas FED que o país tem coordenado e contribui para o desenvolvimento da indústria da Defesa nacional”.

“Adicionalmente o DEEP-TECH aborda uma área crítica para a soberania nacional, procurando criar soluções para a gestão do mar português e dos seus fundos marinhos, quer no contexto existente, quer no cenário de alargamento da plataforma continental”, acrescenta.

A par do reconhecimento do trabalho na área de robótica no INESC TEC, António Gaspar reforça que esta atribuição “demonstra e valida a capacidade de uma RTO [Organização de Investigação e Tecnologia] apresentar e liderar propostas disruptivas, com contributos inovadores na área da Defesa”.

O INESC TEC “não trabalha especificamente para esta área, mas é uma das dimensões onde aplica os seus resultados de I&D”, afirma António Gaspar, apontando que os resultados das atividades de investigação e desenvolvimento na robótica marinha “são particularmente aplicáveis aos desafios de soberania no mar profundo”.

Depois do mar profundo, chegou o TRIDENT para a Defesa

O INESC TEC também participa em mais uma das iniciativas aprovadas pelo Fundo Europeu de Defesa: o projeto TRIDENT, que visa “o desenvolvimento de tecnologias e métodos de deteção de ameaças em ambiente militar”, explica Hugo Silva, igualmente envolvido nesta iniciativa.

Segundo o investigador, no âmbito do TRIDENT, o INESC TEC “vai contribuir para o desenvolvimento de tecnologias e métodos de deteção de ameaças, utilizando swarms de drones em ambientes GNSS denied”. Ou seja, recorre-se a “enxames” de drones que operam em conjunto, nomeadamente em localizações onde o sinal satélite está indisponível, bloqueado, ou interrompido intencionalmente.

Mais concretamente, Hugo Silva explica que o Instituto trabalhará sobre a “capacidade de os drones se autolocalizarem com a ajuda dos seus parceiros de formação de voo, nomeadamente em caso de perda de sinal GPS relacionada com jamming” – o ato de sobrecarga do sistema de navegação por satélite com sinais de rádio potentes.

O projeto TRIDENT conta com quase 20 milhões de euros de financiamento do FED, incluindo 30 parceiros de 13 países distintos. O INESC TEC é o único participante português nesta iniciativa, liderada pela francesa Thales SIX GTS.

A aprovação dos projetos DEEP-TECH e TRIDENT reflete um reconhecimento do trabalho do INESC TEC na contínua produção de conhecimento, desenvolvimento de relações e “criação de valor, compreendendo os desafios existentes e complementando o contributo dos seus parceiros”. António Gaspar não deixa ainda de frisar a importância do desenvolvimento tecnológico no atual contexto geopolítico.

“Paralelamente a um processo de reativação da sua indústria de Defesa, a União Europeia sentiu a necessidade de criar um programa de I&D, o FED, para dar resposta às ameaças emergentes, particularmente associadas a tecnologias disruptivas, como a AI, a robótica, o quantum, entre outras”, expõe.

Segundo o responsável, através destes projetos e das tecnologias e soluções inovadoras daí originadas, o INESC TEC “irá dar o seu contributo para o reforço da soberania europeia e, consequentemente, da soberania nacional”.

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