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Novo robô desenvolvido pelo INESC TEC vai revolucionar o apoio logístico nas operações do mar profundo

Novo robô desenvolvido pelo INESC TEC vai revolucionar o apoio logístico nas operações do mar profundo

Não existe nada igual no mundo. O protótipo está em desenvolvimento e já tem a primeira missão marcada para maio de 2027, onde permanecerá no fundo do mar durante duas semanas. Mas afinal o que tem de diferente o novo robô autónomo PETRA – Long-Range Deep-Sea Logistic AUV –, desenvolvido por investigadores do INESC TEC?

Para além da capacidade para descer a 6 mil metros e autonomia para ficar semanas no fundo do mar, José Miguel Almeida, investigador do INESC TEC, explica que se trata de “um sistema muito inovador, pela componente da função de suporte logístico a operações no mar profundo em lugares remotos”. Por outras palavras, “permite transportar e recuperar equipamentos, como nós sensoriais do fundo do mar, recolher os dados por eles registados e recarregar as respetivas baterias”. “Estas propriedades únicas tornam possível manter uma infraestrutura submarina sem recorrer, de forma contínua, a navios de investigação ou de operação offshore, nem à utilização de work class ROVs (veículos subaquáticos operados remotamente), em operações demoradas e extremamente dispendiosas, abrindo novas possibilidades para a observação e monitorização de vastas áreas e a grandes profundidades, com custos que são uma fração dos das soluções atuais.”

É, por isso, um novo recorde na engenharia nacional, em geral, e nos sistemas robóticos autónomos em particular e é, também, um passo de gigante no sentido de facilitar operações em lugares remotos, minimizando a necessidade de recorrer a embarcações. As soluções são diversas e transversais a vários cenários.

Tome-se o exemplo de uma missão de observação científica. A investigação oceanográfica atual é muito dependente da existência de navios de investigação como ponto central. Dirigem-se ao local com equipamentos e equipa científica, param no ponto exato onde pretendem recolher dados, quer do fundo do mar, quer da coluna de água, ou atmosféricos. Utilizam sensores instalados nos próprios navios, em estruturas que descem na coluna de água, ou a partir de nós/observatórios que instalam no fundo do mar, ou ainda operando veículos robóticos – como ROV ou AUV – para observação mais local, em torno da embarcação.

A PETRA rompe com este paradigma. “O custo de operar as embarcações convencionais (custo económico, humano e ambiental) é evidente: envolve tripulações, motores e geradores a combustão, ruído”, adianta o  também docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), sublinhando que “muitas das operações que estas embarcações efetuam, seja utilizando sensores a partir da superfície, com ROV, ou mesmo com veículos autónomos, podem ser, num futuro muito próximo, efetuadas de uma forma mais eficiente recorrendo a plataformas como a PETRA, possibilitando escalar estas operações e permitindo a recolha de informações mais densas espacial e temporalmente”.

Para além disso, explica, “o custo de operação de um único navio pode equivaler ao de uma frota inteira destes robôs”. Mas as vantagens não ficam por aqui: “há ainda a questão das condições de operação. Mesmo em dias de tempestade, este robô pode continuar a operar. Nas zonas polares, onde no inverno é praticamente impossível chegar com embarcações, passamos a conseguir recolher dados durante todo o ano”.

As capacidades da PETRA estendem-se também ao domínio da defesa e segurança nacional. As suas capacidades, custos operacionais e possibilidade de escalar tornam a sua aplicação, em múltiplos desafios de defesa, muito promissora, como uma nova ferramenta que complementa os meios tripulados existentes. Pode destacar-se a deteção de operações ilegais de exploração submarina, bem como a vigilância de meios subaquáticos (tripulados ou autónomos) em zonas de interesse estratégico.

“Imaginemos que há suspeita de exploração ilegal numa determinada zona, ou que é necessário monitorizar um cabo submarino. A missão é definida a partir de um centro de controlo remoto, e, a partir daí, o veículo não só é capaz de seguir o plano, mas também de tomar decisões autónomas que ajudem a cumprir o objetivo”. “Se encontrar dificuldades, regressa à superfície ou a uma base subaquática, comunica com o centro de controlo para reportar e receber atualizações e prossegue a missão”, descreve o investigador.

José Miguel Almeida explica que “há conceitos semelhantes no mundo, mas que o INESC TEC é o primeiro a desenvolver algo do género”. A PETRA junta características únicas num só robô: grande profundidade, elevada autonomia, capacidade logística e operação residente no fundo do mar. Modular e reconfigurável, o veículo poderá variar entre os 6,4 e os 8 metros de comprimento e transportar até mais de dois metros cúbicos de carga útil.

A possibilidade de operar diretamente entre portos é outro dos elementos que poderá diferenciar o sistema face às soluções atualmente existentes. No futuro, será possível ter bases subaquáticas ao longo da costa portuguesa. “Com uma unidade destas em zonas específicas, é possível operar entre as diferentes bases alcançando uma cobertura maior, até ao meio do Atlântico, para transportar energia ou instalar infraestruturas, garantindo cobertura de monitorização à escala nacional. A visão é ter uma frota a monitorizar e explorar toda a extensão da plataforma continental portuguesa.”

A tecnologia do robô PETRA está a ser desenvolvida há cerca de dois anos. O veículo tem a primeira missão marcada para em 2027, no oceano Atlântico, no âmbito do projeto TRIDENT – iniciativa europeia de desenvolvimento de tecnologias para o mar profundo.

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