/
/
/
Monitorizar é conhecer: o papel da sensorização no horizonte tecnológico do oceano

Monitorizar é conhecer: o papel da sensorização no horizonte tecnológico do oceano

Portugal tem no mar uma das suas mais antigas e profundas marcas de identidade. Desde cedo, a exploração marítima foi uma aposta estratégica do país e uma forma de afirmação no mundo. Hoje, essa ligação ao oceano renova-se perante novos desafios globais e novas oportunidades científicas, tecnológicas e económicas. A Economia Azul assume-se, cada vez mais, como um eixo fundamental para o desenvolvimento sustentável, exigindo conhecimento, inovação e capacidade de intervenção em ambientes complexos e exigentes.

A crescente pressão sobre os recursos tradicionais, a necessidade de acelerar a transição energética e a procura de soluções mais sustentáveis têm vindo a impulsionar a expansão das atividades no oceano. A aquacultura, as energias renováveis offshore, as infraestruturas submarinas de transporte de energia e comunicações, a vigilância marítima e a proteção dos ecossistemas são apenas alguns dos domínios onde o mar se afirma como espaço de futuro. Esta expansão traz, no entanto, desafios significativos: a qualidade da água, a segurança das operações, a durabilidade das infraestruturas, os custos de manutenção e a necessidade de reduzir riscos num ambiente naturalmente agressivo.

É neste contexto que a monitorização assume um papel central. A capacidade de recolher dados de forma contínua, fiável e em tempo real é hoje indispensável para apoiar a tomada de decisão, antecipar problemas, otimizar operações e desenvolver modelos preditivos capazes de responder às necessidades da indústria, da ciência e da sociedade. Da proteção dos nossos mares à eficiência das atividades económicas neles desenvolvidas, a sensorização torna-se numa área incontornável para potenciar e salvaguardar a Economia Azul.

A sensorização ótica destaca-se, neste domínio, como uma tecnologia particularmente promissora. Pela sua precisão, robustez, durabilidade e capacidade de operar em condições adversas, permite desenvolver sistemas de monitorização mais fiáveis, com menores necessidades de manutenção e com potencial para serem implementados de forma escalável. Estas características são especialmente relevantes em setores como a aquacultura de peixes e de algas, nos quais a qualidade da água e o acompanhamento das condições ambientais são determinantes, mas também nas energias renováveis offshore, nas quais a monitorização estrutural e operacional é essencial para garantir segurança, eficiência e continuidade.

O INESCTEC.OCEAN nasce precisamente desta visão: capacitar o INESC TEC para o desenvolvimento, integração e implementação de tecnologias avançadas para o oceano, com particular enfoque na sensorização ótica. Trata-se de uma aposta estratégica que procura consolidar competências, aproximar a investigação das necessidades reais dos setores marítimos e contribuir para soluções tecnológicas mais precisas, duradouras, acessíveis e facilmente escaláveis.

Na área de Fotónica Aplicada do INESC TEC, esta missão traduz-se no desenvolvimento de tecnologia para diferentes áreas ligadas ao oceano – e, logicamente, à atividade desenvolvida para o Centro de Excelência. Da monitorização de sistemas de aquacultura à avaliação de infraestruturas de apoio à produção de energia offshore, passando pelo acompanhamento de cabos de potência para transporte de energia e de cabos de comunicações submarinos, o trabalho em curso procura responder a problemas concretos com soluções inovadoras e sustentáveis.

Mais do que observar o oceano, importa compreendê-lo em permanência. Mais do que explorar os seus recursos, importa garantir que essa exploração é feita de forma responsável, segura e sustentável. O INESCTEC.OCEAN posiciona-se neste cruzamento entre ciência, tecnologia e sociedade, contribuindo para uma nova geração de ferramentas de monitorização capazes de apoiar a decisão, proteger os ecossistemas marinhos e potenciar sectores estratégicos para Portugal e para a Europa.

Num tempo em que o oceano é chamado a desempenhar um papel decisivo na resposta aos grandes desafios do futuro, a capacidade de medir, prever e atuar torna-se essencial. A sensorização ótica é uma peça fundamental desse caminho e o INESCTEC.OCEAN afirma-se como uma iniciativa orientada para transformar conhecimento em impacto, tecnologia em sustentabilidade e o mar num espaço de inovação responsável.

Luís Coelho, investigador sénior e coordenador da área de Fotónica Aplicada do INESC TEC

Partilhar nas redes sociais

Mais Notícias

A propósito do European Maritime Day 2026, o Centro de Excelência liderado pelo INESC TEC teve a oportunidade de coorganizar…

As macroalgas podem vir a ser um dos recursos mais valiosos da bioeconomia europeia. Mas como garantir a sua produção…

Já experimentou um hambúrguer à base de algas? Ou nuggets produzidos a partir de proteína cultivada em sistemas circulares? O…