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Robôs “para toda a obra”: robótica marinha do INESC TEC em destaque na conferência OCEANS em Sanya

Robôs “para toda a obra”: robótica marinha do INESC TEC em destaque na conferência OCEANS em Sanya

Na mais recente edição do congresso OCEANS, realizada na China, o INESC TEC teve a oportunidade de enfatizar a diversidade e abrangência da atividade do Instituto no desenvolvimento de soluções robóticas para o mar. A agenda incluiu ainda uma palestra na universidade e uma competição de veículos submarinos autónomos.

Nove artigos, cinco investigadores, três eventos: assim foi o plano do INESC TEC na deslocação a Sanya, cidade costeira da ilha chinesa de Ainão. A equipa liderada pelo investigador Nuno Cruz, que coordena a área de Robótica e Sistemas Autónomos do Instituto, contou também com os investigadores Paula Lima, Pedro Guedes, Alfredo Martins e Tiago Matos.

O INESC TEC é já presença regular nas conferências OCEANS, organizadas pela Sociedade de Engenharia Oceânica do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletrotécnicos e Eletrónicos). Depois de Brest e Chicago, em 2025, a edição de Sanya não foi exceção, motivando um total de nove artigos científicos da equipa do Instituto.

Segundo Nuno Cruz, “os trabalhos apresentados abordaram temas como a navegação e atracagem autónoma de veículos de superfície, sistemas de lançamento e recuperação de veículos submarinos, planeamento de missões offshore, levantamentos eletromagnéticos subaquáticos, desenvolvimento de sensores de escoamento bioinspirados”, ou ainda “a recolha robotizada de amostras de ADN ambiental”.

Os contributos não se esgotaram nestas temáticas. Outros dos artigos científicos apresentados centravam-se em tópicos como a “caracterização ecológica de montes submarinos” – associada à campanha oceanográfica ao complexo geológico Madeira-Tore, na qual o INESC TEC prestou apoio ao levantamento de dados do oceano através do veículo autónomo EVA -, a “exploração robotizada de minas” – tal como foi abordado no projeto MINE.IO, que contou com a participação ativa do Instituto no desenvolvimento de soluções robóticas para a digitalização e sustentabilidade de atividade mineira –  e a “localização de artes de pesca” – um dos elemento centrais do projeto NETTAG+ e no qual o robô IRIS, do INESC TEC, demonstrou ser possível detetar lixo marinho proveniente da atividade pesqueira de forma autónoma e precisa.

A presença multifacetada do INESC TEC reforçou algo evidente: a “diversidade e abrangência de atividade desenvolvida na área da robótica marinha” do Instituto, realça Nuno Cruz, também docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Segundo o investigador, esta ação refletiu “o desenvolvimento em curso nas linhas de investigação e nas atividades de inovação” para a Robótica e Sistemas Autónomos, “nomeadamente nas áreas de navegação e controlo, perceção, localização e mapeamento, plataformas e operações, desenvolvimento de componentes, prototipagem de sistemas e operações cooperativas”.

“O nosso trabalho procura transformar investigação científica em tecnologias validadas em cenários reais, com aplicações na monitorização ambiental, inspeção de infraestruturas, exploração sustentável do oceano e energias renováveis offshore.”

Fora da agenda da conferência, Nuno Cruz foi também convidado a visitar o campus local da Universidade de Engenharia de Harbin (Nahai Institute of Harbin Engineering University), sediado na Cidade da Ciência e Tecnologia da Baía de Yazhou, em Sanya. Mais concretamente, o investigador do INESC TEC foi keynote speaker num workshop dedicado à acústica marinha e às tecnologias de informação (Forum on Marine Acoustics and Information Technology).

Na palestra Marine Robotics in the Real World: Systems, Challenges and Opportunities, Nuno Cruz demonstrou uma “visão geral da investigação em robótica marinha no INESC TEC, incluindo os principais sistemas, competências técnicas, projetos internacionais e desafios associados à autonomia prolongada e à operação robusta [de veículos robóticos] em ambientes marítimos exigentes”.

No entanto, o programa do INESC TEC na China estendia-se por mais uns dias, com Nuno Cruz a integrar o júri de uma competição de veículos submarinos autónomos: Singapore AUV Challenge. A edição de 2026, que decorreu igualmente em Sanya, propunha-se a desafiar equipas a “conceber e desenvolver veículos submarinos totalmente autónomos, capazes de executar tarefas inspiradas em operações reais, incluindo navegação, identificação visual, localização acústica e manipulação”, aponta o investigador.

De acordo com Nuno Cruz, a competição “assume particular importância na formação de estudantes, ao proporcionar uma experiência multidisciplinar de engenharia”: “Combina mecânica, eletrónica, programação, integração de sistemas e validação experimental”.

Por outro lado, o investigador do INESC TEC sublinha a forma como esta atividade fomenta um espírito cooperativo e o desenvolvimento de “soluções criativas para problemas concretos”, enquanto também “promove o contacto com especialistas internacionais” e alimenta o interesse por carreiras na robótica marinha.

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